sexta-feira, 22 de outubro de 2010

TUMORES DO FÍGADO (HEPÁTICOS) BENIGNOS - HEMANGIOMA

Tumores Hepáticos benignos constituem uma série de lesões, incluindo tumores sólidos, císticos e processos regenerativos. Com o avanço tecnológico dos exames de imagem, houve aumento na detecção de lesões hepáticas, porém houve também o aumento no diagnóstico do tipo de lesão, sem muitas vezes necessitar de procedimentos invasivos a fim de coletar material para a análise histopatológica.
A maior parte das lesões são assintomáticas (não causam sintomas) e com boa evolução clínica, apresentando como conduta a simples observação. Porém em pacientes sintomáticos, na suspeita de malignidade e em algumas lesões com potencial de transformação maligna, como o adenoma hepático, o tratamento se faz necessário. Nesse caso, estudos recentes, vem comparando o tratamento por laparotomia com a cirurgia por via laparoscópica.
HEMANGIOMA
É o tumor hepático benigno mais comum, variando sua incidência, em autópsias, entre 0,4 e 7,3%.  É mais prevalente em mulheres (Relação 5:1 a 6:1) e apresenta como localização mais comum à região subcapsular do lobo direito e seu tamanho é geralmente menor que 5.0 cm. Alguns hemangiomas apresentam receptores para estrogênio, levando a um crescimento maior durante a puberdade, a gravidez e nas mulheres que fazem uso de contraceptivo oral.
A maioria dos hemangiomas é encontrada ao acaso durante exame de imagem abdominal. Alguns pacientes apresentam sintomatologia, sendo o mais comum desconforto abdominal inespecífico. Esses pacientes com sintomatologia geralmente apresentam lesões maiores que 5.0 cm (Figura 1) ou com necrose.
hemangioma hepatico gigante
Figura 1:Hemangioma hepático gigante causando compressão do estômago


Hemorragia espontânea ou síndrome de Kasabach-Merritt são descritos como complicações raras., A ruptura espontânea do hemangioma é rara (figura 2), tendo em vista a alta prevalência de hemangioma na população. Kasabach & Merritt (1940) descreveram uma síndrome caracterizada por trombocitopenia (diminuição das plaquetas) e coagulação intravascular disseminada associada ao hemangioma (síndrome de Kasabach-Merritt).

hemangioma de fígado com ruptura
Figura 2- Hemangioma hepático com ruptura


1.1- Diagnóstico do Hemangioma
O diagnóstico de hemangioma geralmente é feito por exame de imagem. Na ultra-sonografia o hemangioma se apresenta como uma massa homogênea hiperecóica, bem delimitada e lobulada. Fibrose, calcificação ou hemorragia aparecem como áreas hipoecóicas. Na tomografia computadorizada (Figura 3), o tumor é geralmente hipodenso, podendo não ser visualizado no exame sem contraste. Após injeção de contraste venoso ocorre, primeiramente, opacificação periférica nodular, com posterior preenchimento em direção ao centro da lesão (centrípeto). Cintilografia de hemácias (SPECT) – (figura 4) apresenta sensibilidade e especificidade semelhantes à ressonância nuclear magnética em tumores próximo à superfície hepática e maiores que 3.0 cm. Ressonância nuclear magnética (Figura 5) é o exame de imagem com maior acurácia, apresentando sensibilidade e especificidade maiores que 90%.

hemangioma hepatico na TC

hemangioma de figado na TC
 

hemangioma hepatico na TC
Figura 3: Tomografia Computadorizada de abdômen. (A) massa hipodensa (20 cm de diâmetro) no lobo esquerdo do fígado. (B) opacificação nodular periférica. (C) captação centrípeta.

cintigrafia de hemangioma hepatico
Figura 4: Cintigrafia de hemáceas mostrando área vermelha no lobo hepático direito, compatível com hemangioma.


ressonancia de hemangioma hepatico 
Figura 5: Imagem de RNM (A) lesão de baixo sinal entre a veia hepática direita e média em T1 e (B) alta intensidade em T2

Confirmação histopatológica, através de biópsia por agulha, pode ser necessária em alguns casos de achado atípico no exame de imagem.
1.2- Tratamento

Hemangioma menor que 5.0 cm, sem crescimento num período de seis meses, apresenta conduta expectante. Tratamento, que inclui ressecção tumoral, enucleação cirúrgica, quimioembolização transarterial, irradiação hepática e transplante, é indicado quando houver complicações, em pacientes com sintomatologia importante ou na impossibilidade de excluir lesão maligna. Transplante hepático é indicado em situações extremas, como em múltiplas lesões, geralmente gigantes, irressecáveis e com envolvimento de hilo hepático.
O tratamento conservador deve ser realizado na maioria dos casos, exceto, em condições raras, como dor incapacitante, compressão de órgãos adjacentes, dúvida diagnóstica ou na presença de síndrome de Kasabach-Merritt.

Um comentário:

  1. Edu de SP, vivendo no DF12 de maio de 2011 14:50

    Fala-se muito de Hemangiomas Gigantes de até 5 ou 8 cm. Tenho lido que existem muitas pessoas com Hemangiomas de até 25cm! O meu tem 16cm e eu temo por um acidente ou gostaria de poder levar uma vida normal, fazer esportes... mas, ainda não tive coragem de operar, pois, o corte é imenso, tem UTI, perde-se muito sangue e existem riscos. Gostaria de ver mais especialistas falando sobre suas experiências com a Hepatectomia em hemangiomas entre 10 e 20cm. Obrigado.

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